Demandas do mercado da madeira legal são apresentadas e debatidas em evento no Belém

07/10/2013 - Felipe Santana Rick - RAA

 

Encontro realizado em Belém debate sobre as leis no mercado nacional e internacional, e conta com a presença de especialista de várias partes do mundo

Realizado pela Rede Amigos da Amazônia (RAA), em parceria com WWF-Brasil, Traffic, World Resources Institute (WRI) e Forest Legality Alliance, com apoio da Comissão Europeia e USAID, aconteceu no dia 25 de setembro o evento “Demandas de Mercado para a Madeira Legal: Últimas Tendências”. O encontro, ocorrido em Belém, teve como objetivo discutir a demanda internacional e doméstica da madeira amazônica de origem legal e os existentes sistemas de controle da cadeia de abastecimento de madeira, juntamente com os atuais sistemas tecnológicos no Brasil e em outros países da bacia amazônica.

A presença de especialistas de países importantes para o mercado da madeira, como Estados Unidos, China e Peru, enriqueceu os debates do dia. Logo na abertura ocorreu uma videoconferência com o representante da Comissão Europeia, John Basil, que falou sobre o regulamento da União Europeia para o comercio de madeira. Em seguida houve a fala de Tom Swegle, do Departamento de Justiça dos EUA, que falou sobre Lei Lacey, importante lei americana no combate a madeira ilegal.

“Estados Unidos e Europa são alguns dos principais compradores de madeira oriunda da floresta amazônica, por isso a importância de se conhecer suas leis e ações voltadas para esse mercado”, afirma Ruth Nogueron, pesquisadora do World Resources Institute (WRI). Ela é uma das responsáveis pela organização do evento, “tentamos incluir nos debates pelo menos um representante de mercados importantes para a madeira amazônica”, conclui.

O evento contou com a participação do Dr. Xu Bin, da Academia Chinesa de Silvicultura, que falou sobre as medidas adotadas pelo governo chinês contra ilegalidade e a reação e adaptação da indústria chinesa. A primeira parte do ciclo de palestras foi encerrada por Guilherme Carvalho, diretor da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (AIMEX), que falou sobre a necessidade de mudanças e quais são as preocupações das empresas do setor no Brasil.

A vez do mercado interno

Cassia Callegari, da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, apresentou o caso do CadMadeira. Programa que realiza um cadastro de pessoas jurídicas que comercializam produtos e subprodutos de origem florestal no estado que, ao tornar publica para os consumidores as empresas cadastradas, consegue incentivar as praticas de produção e comercializam com comprometimento com o meio ambiente.

“O foco chave é a transparência” como essa fala Camila Nardon do The Forest Trust (TFT) abriu sua palestra. Ela falou sobre como alinhar as exigências da demanda com as expectativas da oferta, sempre focando no mercado interno. “É muito importante tentarmos trazer todas as questões que envolvem para a realidade do produtor local, por isso a realização deste evento aqui no Pará”, afirma o analista de conservação do WWF-Brasil, Ricardo Russo.

Fiscalização e Rastreabilidade

No fechamento do dia foram realizadas diversas palestras com foco nos sistemas de fiscalização e rastreabilidade da madeira, e também no monitoramento das atividades do setor madereiro. Entre eles destaca-se a apresentação de Heron Martins, pesquisador do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que apresentou o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), importante ferramenta no monitoramento da floresta. Já Rafael Ramirez, um dos responsáveis pelo Sistema de Informação da Floresta e da Vida Selvagem do Peru, apresentou as ferramentas que seu país tem utilizado na fiscalização das atividades na Amazônia peruana.

No encerramento das atividades Thais Megid, Coordenadora Geral da Rede Amigos da Amazônia, destacou o sucesso e a importância do evento. “Conseguimos reunir atores do mundo inteiro para explicar e demonstrar leis e ações que influenciam no mercado da madeira” explica. Ela também alerta para a necessidade de se aprender com os exemplos ali apresentados, “é importante que possamos aprender uns com os outros, para que avançamos cada vez mais em prol da sustentabilidade no setor”, conclui.

I Feira Florestal da Amazônia

O evento Demandas de Mercado para a Madeira Legal: Últimas Tendências fez parte da programação da I Feira Florestal da Amazônia que aconteceu entre os dias 24 e 27 de setembro. A principal feira do setor madeireira e florestal da região reuniu reflorestadores, importadores, exportadores, produtores e representantes da indústria de móveis, máquinas e insumos, e serviu como oportunidade de negócios e divulgação de novas tecnologias.

A Rede Amigos da Amazônia esteve presente no estande da Associação da Cadeia Produtiva Florestal da Amazônia (UNIFLORESTA) em parceria com o WWF-Brasil. Durante o evento centenas de pessoas visitaram o estande que oferecia a oportunidade de empresários de todo o país firmarem parcerias e se envolverem em projetos ligados à sustentabilidade no setor madeireiro. “O resultado dos quatro dias de evento é fenomenal” afirma Hélio Oliveira, presidente da UNIFLORESTA. “O empresariado movimentou o estande e eu tenho certeza que teremos associados que vão se juntar a nossa luta pela organização do setor”, conclui.

O analista de conservação da WWF-Brasil, Ricardo Russo, exalta a participação da I Feira Florestal da Amazônia e a parceria com a UNIFLORESTA. Para ele esse trabalho em conjunto é ideal se estabelecer um modelo de negócio que reforce a produção local de forma sustentável. “Uma empresa que utiliza as técnicas de plano de manejo sustentável nos permite retirar um ativo da floresta, a fazendo gerar recursos, ao mesmo tempo em que garante a preservação da floresta”, afirma.
 

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