II Encontro Mesa Redonda da Madeira Tropical Sustentável

Formação de um pacto setorial da madeira avança com encontro de empresários em Belém

30/09/2013 - Por Frederico Brandão - WWF-Brasil

 

A transparência nas relações comerciais e a inovação na cadeia de valor foram as principais propostas desenvolvidas no segundo encontro da Mesa Redonda

A estruturação de um projeto piloto de pacto empresarial para o estado do Pará que permita a promoção de melhorias no ambiente de negócios da madeira, com base em valores de confiança e transparência, foi a principal solução debatida entre os cerca de 30 representantes da cadeia madeireira florestal, durante o segundo encontro da Mesa Redonda da Madeira Tropical Sustentável. O evento, organizado e facilitado pela Rede Amigos da Amazônia (RAA), ligada ao Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas, em parceria com o WWF-Brasil e a Traffic, aconteceu no último dia 24, em Belém, como parte da programação da 1ª Feira Florestal da Amazônia.

“Ficamos muito felizes com o resultado. A ideia é que a partir do pacto, os empresários possam oferecer serviços legalizados, rastreados e sustentáveis. Nosso objetivo final é que esse modelo possa ser utilizado como exemplo para outros estados do Brasil”, explica o analista de conservação do WWF-Brasil, Ricardo Russo.

Para o coordenador de relações institucionais da RAA, Rafael Murta, é impossível construir um pacto para o setor sem discutir com os produtores do estado. “Fazemos uma avaliação muito positiva do evento. A lógica da adesão de um pacto tem feito cada vez mais sentido para as empresas. Existe um grupo de operadores que querem fazer parte da mudança. E essa é uma das primeiras linhas de atuação que estamos conseguindo colocar em prática com a Mesa Redonda”, explica. A secretária executiva da RAA, Thais Megid, complementa. “O encontro em Belém teve o objetivo de trazer o debate até os produtores do estado, e demonstrar a importância da organização do setor para o maior estado produtor da madeira da Amazônia, de forma que possamos envolver as empresas produtoras em um movimento em pró da madeira sustentável”.

Para o presidente da Associação da Cadeia Produtiva Florestal da Amazônia – Unifloresta, Hélio Oliveira, que participou do evento, o pacto setorial trará inúmeras contribuições para a regularização da cadeira florestal, em todos os seus processos, desde a elaboração do plano de manejo, a extração da madeira e o transporte, até a serragem, a industrialização e o comércio. “Na Mesa Redonda ficou clara a importância do pacto para o setor. A partir daí, pretendemos trazer maior credibilidade para o governo e consumidor final, para que de fato eles tenham conhecimento da origem da sua madeira”, explica.

Outro que aprovou o evento foi o empresário Sandro Bracchi, que há 20 anos vende móveis, portas e painéis com madeira reciclada em Belém. “Foi um excelente momento de reflexão para o setor perceber que não pode mais esperar pelo governo. A iniciativa tem que ser nossa se quisermos ter mais autonomia nos processos e minimizarmos os problemas crônicos no estado”, afirma. Ele aponta a burocracia para lidar com as questões do setor madeireiro como um dos principais empecilhos ao melhor desenvolvimento do setor no Pará.

Mesa Redonda

O primeiro encontro aconteceu em São Paulo, em julho, e reuniu cerca de 40 atores e operadores do setor, entre produtores florestais, desde cooperativas comunitárias certificadas até empresas certificadas, sindicatos de classe, empresas do setor de construção civil e OnGs. Eles tiveram a oportunidade de expor os problemas que enfrentam no setor em que atuam, e também apontar soluções. A partir dos “gargalos” levantados, ficou evidente a necessidade de uma reestruturação do setor em que se destacaram problemas como a extração, a fiscalização, o transporte e a tributação da madeira.

Até novembro deste ano serão realizados outros dois encontros para fortalecer ainda mais as propostas sugeridas pelos participantes e aprofundar a estratégia de relação entre empresas, participantes e governo.

As próximas mesas redondas estão previstas para acontecer em Mato Grosso, em outubro, e em São Paulo, em novembro. Os encontros serão uma oportunidade de diálogo e negociação com os cenários e perspectivas de mudanças do mercado da madeira tropical sustentável no Brasil e no exterior. Além disso, serão feitos os encaminhamentos de propostas de viabilização do mercado de madeira tropical sustentável.

Sobre o Projeto

Os encontros da Mesa Redonda fazem parte do Projeto “Governança Florestal e Comércio Sustentável da Madeira Amazônica”, desenvolvido pelo WWF-Brasil, Fundação Getúlio Vargas e Rede Amigos da Amazônia. O principal objetivo é promover, até 2015, o aumento de 15 % no volume de madeira legalizada da Amazônia comercializada nos mercados nacional e internacional.

Financiado pela União Europeia, o projeto investe na formulação e construção de políticas e procedimentos que possam aperfeiçoar a regulamentação da madeira - seu manejo, sua compra e venda e o controle que o poder público exerce sobre este produto. Tudo isso, obviamente, visando o objetivo maior que é contribuir com a conservação da floresta amazônica.

 

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